Será que é possível uma empresa ser lucrativa e mesmo assim fechar no vermelho? Pois saiba que para chegar na resposta, antes será necessário saber a diferença entre  fluxo de caixa e lucro. E acredite, não é raro ouvir gestores confundindo esses dois conceitos e com isso, por desconhecimento, cometendo erros na gestão financeira.

Mas se você não quer ser como eles, confira este artigo e aprenda a diferença entre fluxo de caixa e lucro que fizemos especialmente para você. Boa leitura e bons negócios!

O que é o fluxo de caixa?

No dia a dia de qualquer empresa, o planejamento e controle financeiro são essenciais. E para que isso aconteça, os gestores contam com um instrumento básico, o chamado fluxo de caixa. Seu objetivo é apurar e projetar o saldo disponível para que exista sempre capital de giro, seja para cobrir eventuais gastos, seja para investimentos.

No fluxo de caixa, devem ser registrados:

  1. Recebimentos: vendas à vista e a prazo e recebimento de duplicatas, entre outros;
  2. Pagamentos: compras à vista e a prazo, pagamentos de duplicatas, pagamento de despesas e outros pagamentos;
  3. Previstos: os pagamentos e recebimentos conhecidos ou o máximo de horizonte adequado às necessidades de cada  empresa

No começo, o preenchimento do fluxo de caixa pode parecer complexo. Porém, com a prática diária, logo se percebe a enorme importância desse controle na hora da tomada de decisões. Afinal, ao elaborar o fluxo de caixa, o empreendedor terá uma clara visão do presente e do futuro do negócio, podendo avaliar a disponibilidade financeira e a liquidez da empresa.

O resultado final do fluxo de caixa é o saldo disponível, apurado pela diferença entre o total do valor dos recebimentos e pagamentos realizados em um determinado período. E esse saldo final do fechamento de caixa deve corresponder ao valor dos recursos disponíveis no caixa da empresa ou depositados em contas.

É no fluxo de caixa que os diversos setores e serviços do financeiro de uma empresa se encontram, como por exemplo: contas a pagar, contas a receber, serviços de conciliação bancária, acompanhamento de contas bancárias, emissão de boletos bancários, etc.

A estrutura do fluxo de caixa vai depender da natureza da empresa e também das necessidades dos gestores. No entanto, na sua elaboração deve-se sempre observar algumas boas práticas, tais como:

  • Controle sobre todas as informações;
  • Uso de ferramentas de gestão;
  • Diminuição da necessidade de capital de giro;
  • Bom gerenciamento do estoque;
  • Trabalho com projeções.

O que é o lucro?

Todo gestor quer que seu negócio seja lucrativo, mas você sabe dizer com certeza o que é o lucro? Lucro é a diferença positiva entre as receitas faturadas e os gastos (custos e despesas) incorridos no mesmo período de tempo. É ele quem define o desempenho de um negócio e por isso, é tão importante.

O lucro se divide em:

  1. Lucro bruto: é o rendimento que permanece ao serem deduzidos os custos variáveis (valores gastos pela empresa para produzir bens ou oferecer seu serviços). Ele é a diferença positiva entre a receita total (preço do produto ou serviço x quantidade de vendas) e o custo envolvido no oferecimento de um produto ou serviço.
  2. Lucro líquido: leva em consideração não apenas os custos variáveis, mas também os custos fixos (gastos que não dependem da produção, como por exemplo aluguel, folha de pagamento, etc). É o rendimento que permanece após a subtração de todos os custos da empresa.

Lembrando que essa diferença entre a receita total e custo total, precisa ser positiva. Do contrário, estamos falando de prejuízo, não de lucro.

E, para que o lucro seja possível, é preciso que os gestores tenham total conhecimento dos indicadores financeiros da sua empresa. O cálculo dos diferentes indicadores é necessário para que sejam detectados os pontos em que a empresa esteja perdendo dinheiro.

Reduzir custos, por exemplo, só é possível e eficaz para o aumento do lucro, se houver um controle financeiro total do negócio.

A diferença entre fluxo de caixa e lucro

Agora que você já sabe o conceito de cada de fluxo de caixa e de lucro, vamos ver as diferenças na tabela abaixo:

Fluxo de caixa
Lucro
Momento da 
apuração
É apurado pelo “regime de caixa”. Os eventos são considerados pela data efetiva do recebimento ou desembolso, independente da data em que foram originados. Deve ser apurado pelo “regime de competência”. Os eventos são considerados pela data em que foram originados independente se foram pagos ou recebidos
Cálculo Para se chegar no saldo final devemos considerar o saldo inicial, somar com as entradas e deduzir as saídas. Deve-se contrapor as receitas faturadas e os gastos (custos e despesas) incorridos no mesmo período de tempo.
Variáveis São três as variáveis que impactam no seu resultado final: quantidade, unidade monetária e prazos que impactam no seu resultado final. Trabalhamos com duas variáveis (quantidade e unidade monetária) que impactam na sua formação.
Setor 
Responsável
Financeiro Contabilidade

A relação entre lucro e fluxo de caixa é bastante intensa, mesmo se tratando de coisas bem distintas. Por isso é sempre bom frisar: o lucro é o total de dinheiro que sobra após os recebimentos e pagamento das despesas e o fluxo de caixa é quando você realmente recebe o dinheiro e efetua os pagamentos.

A empresa pode ser lucrativa, mas fechar no vermelho?

Sim, uma empresa pode ser lucrativa e ainda assim apresentar sérios problemas de fluxo de caixa e fechar no vermelho.

Por exemplo, se ela precisa pagar por matérias-primas em janeiro, mas não recebe de seus clientes até junho, ela precisará de um empréstimo para sobreviver até lá. Porém, se o empréstimo não sair, mesmo com vendas garantidas nos próximos meses, de nada vai adiantar. Às vezes os próprios clientes pagarão adiantado, oferecendo na prática um empréstimo sem juros para ajudar a cobrir o fluxo de caixa.

Um exemplo interessante é a Amazon. Ela levantou muito dinheiro com a venda de ações nos anos 90. Todo ano, eles gastavam mais dinheiro do que faziam, portanto o seu lucro anual era negativo. Porém, por terem muito dinheiro em reserva, eles cobriam a diferença tirando da conta bancária o valor necessário. Assim, as robustas entradas de dinheiro originárias da venda das ações compensavam as frequentes  perdas. Somente após cerca de 10 anos que ela começou realmente a lucrar e ter um bom fluxo de caixa.

Conclusão

A movimentação financeira de uma empresa é composta por entradas (crédito) e saídas (débito). E, é no resultado da interação desses elementos que lucro e fluxo de caixa se encontram. No longo prazo lucro e fluxo caixa são iguais. Porém, no curto prazo, são bem diferentes. E o gestor precisa conhecer muito bem as diferenças entre ambos, pois deles depende o desempenho da organização.

Fonte: bcntreinamentos

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